A maleta do meu pai




A maleta do meu pai
Orhan Pamuk
Cia das Letras (2008 )


Pamuk* é celebrado pelo mercado editorial por best-sellers como “Neve” e “Meu nome é vermelho”, entre outros. Mas antes de ser um ícone da cultura literária de consumo, este ilustre personagem guarda mais de cinco décadas de paixão pela arte das palavras. “A maleta do meu pai” é mais um de uma série de publicações recentes que vem cedendo espaço ao “estado escritor”: livros que ensinam a arte da leitura e da escrita, ou que buscam entender essa aura quase mágica que cerca as mentes criativas daqueles que já são considerados “grandes”. O que difere o livreto de tantos outros é, exatamente, o relacionamento deste turco com seu objeto de trabalho, as histórias; e seu material base são os discursos pronunciados por Orhan Pamuk por ocasião de algumas de suas mais expressivas premiações: o Nobel em 2006, o Friedenspreis em 2005 e a Conferência Puterbaugh em 2006.

Talvez sua obra fale mais por si só:

Os romances nunca serão totalmente imaginários nem totalmente reais. Ler um romance é confrontar-se tanto com a imaginação do autor quanto com o mundo real cuja superfície arranhamos com uma curiosidade tão inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num divã com um romance nas mãos, nossa imaginação passa a trafegar o tempo entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance em nossas mãos pode nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos notícia. Ou pode nos levar até as profundezas ocultas de um personagem que, na superfície, parece semelhante às pessoas que conhecemos melhor. Estou chamando atenção para cada uma dessas possibilidades isoladas porque há uma visão que acalento de tempos em tempos que abarca os dois extremos. Às vezes tento conjurar, um a um, uma multidão de leitores recolhidos num canto e aninhados em suas poltronas com um romance nas mãos; e também tento imaginar a geografia de sua vida cotidiana. E então, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores vão tomando forma, distribuídos por todas as ruas da cidade, enquanto eles lêem, sonham os sonhos do autor, imaginam a existência dos seus heróis e vêem o seu mundo. E então, agora, esses leitores, como o próprio autor, acabam tentando imaginar o outro; eles também se põem no lugar de outra pessoa. E são esses os momentos em que sentimos a presença da humanidade, da compaixão, da tolerância, da piedade e do amor no nosso coração: porque a grande literatura não se dirige à nossa capacidade de julgamento, e sim à nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.




* Orhan Pamuk é um turco de 56 anos, que por sua dedicação a arte e a liberdade política hoje  é um exilado nos Eua. Ganhador do Nobel de Literatura em 2006, hoje é professor de literatura em Columbia e aclamado mundialmente como um dos mais importantes escritores turcos, tendo seus livros traduzidos em mais de 40 idiomas.



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Hilárias neuroses




O Complexo de Portnoy
Philip Roth
Cia. das Letras (2004)


para dizer o mais óbvio, é um belo texto sobre as terríveis conseqüências do excesso de amor de uma mãe judia. para dizer o mais relevante, são insights finamente irônicos sobre a culpa, o medo da liberdade e a busca de reconhecimento. para dizer o universal, é o onipresente sentimento de dever algo a alguém – dever cumprir expectativas que não são suas, dever corresponder a exigências com as quais não concorda, dever ser perfeito quando você sabe que isto é impossível.


Quando li o post da Marcia no Patifaria (que recomendo com insistência), simplesmente não resisti a curiosidade e imediatamente fiz a encomenda de “O Complexo de Portnoy“. O li também assim, como um impulso, um único sopro de ar. Parece mesmo impossível parar entre os capítulos mal traçados deste… como poderia definir?… deste soco no estômago desenhado por Roth*.

Preciso confessar que não foram tantas as gargalhadas quantas imaginei. Ainda assim foram muitas. O texto simplesmente me acertou em cheio, e o fará com todos de certa forma. Porque é na trivialidade exacerbada que Philip busca sua inspiração, é dos dramas mais cotidianos que surge sua narrativa. Ou monólogo. Não há como, tendo sido filho, não se identificar com algum dos momentos da vida magistralmente narrada de Alex Portnoy, o narrador desesperado.

Mas, talvez, as semelhanças parem por aí. Entre as neuroses da personagem, sua busca por contestação, seu desapego, existe esse contraditório sentimento, uma necessidade inesgotável de pertencimento e aceitação. Uma negação persistente do desejo de ser igual.

A narrativa de Roth é refinada, muito refinada. De uma qualidade literária praticamente impecável, onde o humor é o tempero do reconhecimento. O leitor se compadesse do sofrimento de Portnoy, ri das desventuras e lamúrias do inadequado trintão, e isso porque, de certa forma, se identifica com ele. Enquanto o pequeno imperfeito narra suas ansiedades no divã, nós, os calados psicanalistas cotidianos, temos a oportunidade de nos deleitar com essa impagável receita de bem escrever.



* Philip Roth é um americano de origem judaica. Considerado um dos maiores escritores da segunda metade do século XX, ganhou zilhões de prêmios importantes, entre eles o Pulitzer, National Medal of Arts, a Golden Medal for Fiction… Enfim, a orelha do livro só apresenta a lista de prêmios.



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140: criatividade coletiva




Duvido. Mas se você não conhece o Twitter, podemos explicar: de forma um pouco simplista, o Twitter é uma ferramenta de microbloggin, ou seja… Limitando sua expressão escrita em 140 caracteres, o sistema nasceu com a pergunta “O que você está fazendo agora?” para se tornar uma importante forma de comartilhamento de micro-informação na Rede. Quanto maior for a sua lista de contatos, mais diversa será a gama de informações (relevantes ou não, curiosas, pessoais e criativas) listadas pra vc…

No Twitter também existem as famosas “tags”, que podem ser monitoradas através de outras ferramentas (como Hastags, Tweet Scan, Twist ou outras) e fornecem um panorama sobre as discussões ou comentários sobre determinado tema.

Ao que nos interessa, surgiu essa espécie de micro-meme há algumas semanas que propunha aos twitteiros a criação de micro-contos em 140 caracteres. Cada microconto deveria ser precedido da tag #140 e estaria concorrendo a uma premiação legal, em livros, claro!

Produção coletiva de conteúdo literário. A linguagem hipertextual – essa que configura a existência da web como a conhecemos – permite não só a troca criativa ( muita coisa boa aparece, tenha certeza) mas também favorece que a própria linguagem refine, modele, organize suas formas a partir de novos conceitos de escrita e leitura.

Como os microcontos continuam surgindo entre os meus contatos, resolvi pesquisar a tag da campanha, saber o que os colaboradores criativos andam desenvolvendo mundo online a fora… Divertido, construtivo, inspirador… Veja o que está circulando por lá hoje:


@storyteel, “ainda estava ofegante sobre o vestido branco manchado de sangue quando disparou: consegui o que mais queria, agora quero o anulamento”.

@operon, “Procurou a vida inteira a cura da gagueira. Quando ela finalmente chegou, involuntária e inesperada, já era inútil. Só havia o silêncio”.

@saabreu, ” de tantas páginas viradas, amanhã começava um novo diário”.

@anarina, “Só lhe restou puxar a ponta do vestido para secar as próprias lágrimas”.



Ler também se aprende




Para ler como um escritor
Francine Prose
Zahar (2008 )

Todos nós começamos como leitores atentos. Mesmo antes de aprendermos a ler, o processo de ouvir leituras em voz alta significa que assimilamos uma palavra depois da outra, uma frase de cada vez, que prestamos atenção ao que quer que cada palavra ou frase esteja transmitindo. É palavra por palavra que aprendemos a ouvir e depois a ler, o que parece adequado, porque, afinal, foi assim que os livros que lemos foram escritos.

Quanto mais lemos, mais rapidamente somos capazes de executar o truque mágico de ver como as letras foram combinadas em palavras dotadas de sentido. Quanto mais lemos, mais compreendemos, mais aptos nos tornamos a descobrir novas maneiras de ler, cada uma ajustada à razão que nos levou a ler um livro particular.


Esse trecho de “Para ler…” permite um síntese do tipo de leitura a qual Francine Prose* nos convida. O processo da leitura atenta, bem mais complexa do que parece a primeira vista, sugere um aprofundar ao texto, ao autor, às formas da linguagem… Através desta análise metódica Prose constrói seu livro, um verdadeiro curso de leitura, onde cada capítulo é dedicado a diferentes aspectos da leitura, da escrita literária: diálogos, personagens, parágrafos, ambientes… Uma das mairores riquezas do livro, além da enorme experiência pessoal e profissional da autora, são os exemplos que Prose oferece a cada página – verdadeiros exercícios de “bem ler”.

O livro permanece basicamente centrado em autores norte-americanos e ingleses, além dos russos – paixão pessoal da autora, abstendo-se de recuperar grandes mestres das letras, de outros circuitos literários. Apesar disso, a edição brasileira traz um adendo, elaborado por Italo Moriconi – que aplica a proposta da autora em obra de mestres brasileiros como Drummond, Machado e Graciliano.

Vale destacar ainda a lista de “leituras indispensáveis” da literatura nacional e internacional, oferecida pelos autores. Nela, e nas leituras que surgem durante todo o livro, somos apresentados à clássicos, famosos ou não, e possivelmente descobrimos alguma novidade interessante para nossas estantes intelectuais. Boa e atenta leitura!!




* Francine Prose é autora de mais de uma dezena de obras de ficção, uma delas finalista do National Book Award. Crítica e ensaísta respeitada, foi professora de literatura e criação literária por mais de 20 anos em universidades como Harvard, Columbia e Iowa.



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Livros e meninas não combinam com dor




A menina que roubava livros
Markus Zusak
Editora Intrínseca (2007)

Um livro preto, perdido numa imensidão de caos e neve.
Uma menina que enganou a Morte, por três vezes.

E exatamente ela, a Morte, que calmamente assitia a cena, é a escolhida de Zusak* para nos contar essa história. Ao se aperceber do livro abandonado, o apanhou: foi a necessidade de contar a vida dessa criança. A Morte descreveu a história como “uma dentre a pequena legião que carrego, cada qual extraordinária por si só. Cada qual uma tentativa – uma tentativa que é um salto gigantesco – de me provar que você e sua existência humana valem a pena“.

Desde de seu primeiro roubo, a menina, Liesel Meminger, recolhe não só os livros, mas também os semblantes de seus próprios retalhos de vida, que foram ficando pelo caminho.


Ela simplesmente já não se importava.
Durante muito tempo, ficou sentada e viu.
Ela vira seu irmão morrer com um olho aberto, outro ainda no sonho. Dissera adeus à mãe e imaginara sua espera solitária de um trem, de volta para o limbo. Uma mulher de arame tinha-se deitado no chão, com seu grito percorrendo a rua, até cair de lado, como uma moeda rolada que houvesse perdido o impulso. Um rapaz pendera de uma corda feita de neve de Stalingrado. Ela vira um piloto de bombardeiro morrer numa caixa de metal. Vira um homem judeu, que por duas vezes lhe dera as mais belas páginas de sua vida, ser forçado a marchar para um campo de concentração. E, no centro de tudo, viu o Führer berrando suas palavras e passando-as adiante“.


Ao analisar tudo, quando pensava sobre as histórias de Max, como ‘A Semeadora de Palavras’; quando lembrava da bravura de Rudy, lançando-se no frio do rio Amber para resgatar um dos livros da menina; quando vislumbrava a estatura de armário, os xingamentos e o coração monumental da mãe de criação; quando sonhava com o irmão que sempre permaneceu com 6 anos; e, especialmente quando acordava com o consolo do amado pai do acordeão – ao analisar tudo, Liesel não pode pensar em mais nada além do que usou para encerrar a narrativa de sua vida: “Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito“.

Uma menina, um acordeão, um amor, um judeu – e os livros… Uma história. E como diz a ‘orelha do livro’ sobre a narradora, “um dia todos irão conhecê-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena“…



____ Leitor Lido!

Segundo nossa querida amiga Marilia, em seu relato sobre as páginas de Zusak, “o livro vale a pena, demais! Ainda lerei-o várias e várias vezes ao longo de minha vida, a não ser, é claro, que a Morte resolva me buscar antes. […] A sensação que me fica na alma, ao terminar de lê-lo, condiz com a frase final, proferida pela Morte: “Os seres humanos me assombram”. A mim também”.

____



Mesmo não sendo uma obra prima da literatura, o quinto romance de Zuzak tem uma poética tocante, envolvendo o leitor nos dramas e sonhos de uma pequena e desaparada personagem que, através do amor aos livros, se aproxima de cada leitor, o tornando quase um cumplice. Narrativa leve, mas obstinada, permeada pelo fantástico ao ter como narradora a figura mítica da Morte, uma morte “imortal”, a deusa que colabora para a ordem do mundo, e que o conhece desde sempre.

E pelo “conhecimento” que a Morte demonstra sobre a alma humana, começamos a nos surpreender com os movimentos mais simples e doces que se desenvolvem no caos. As palavras, em uma história, são capazes de modificar mundos. Capazes de reacender esperanças. Capazes de ensinar que apesar de o universo conspirar contra a humanidade, apesar de, muitas vezes, não conseguirmos perceber nossa humanidade por trás de nossa crueldade, ela está lá. Acesa. Brilhante.


As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas. No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los…”



*Markus Zusak é australiano, filho de mãe alemã e pai austríaco, e cresceu cercado por histórias da época da Guerra. Aos 30 anos é considerado uma revelação na arte do romance, já premiado com o Printz Honor de excelência em literatura jovem. Com o “A menina…” permaneceu 40 semanas no top dos livros mais vendidos do New York Times, tendo chegado ao 1º lugar.



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Idéias são à prova de balas…




V de Vingança
Alan Moore, David Loyd
Panini (2006)

Em certo momento V, personagem central da trama de Moore*, esclarece que “numa burocracia, cartões perfurados são a realidade. Abra novos furos e você recria a realidade” e a sentença nos ajuda a compreender os mistérios por trás da máscara sorridente. V é uma misteriosa e anárquica personagem que parece surgir do nada na rotina dos cidadãos de um Reino Unido imaginário, que no 1997 criado por Alan Moore vivia a opressão protetora de um totalitarismo tecnológico. O mascarado, através de seus métodos teatrais e dramaticamente didáticos de chamar a atenção para a causa que defende, mobiliza a jovem Evey em seu propósito de uma revolução capaz de libertar o país das mãos tiranas dos traidores da Justiça, sua amante. Originalmente escrito entre 1982 e 1983, posteriormente publicado pelo prestigiado selo da Vertigo nos Eua (1988 ) e pela Globo no Brasil (1989), V de Vingança é um dos épico das HQ’s que acabou nas telonas (2006), com produção dos irmãos Wachowski (Matrix).


A anarquia ostenta duas faces, a criadora e a destruidora. Destruidores derrubam impérios, fazem tela com os destroços, onde os criadores erguem mundos melhores. Os destroços, uma vez obtidos, tornam as ruínas irrelevantes. Fora com os explosivos, então. Fora com os destruidores. Eles não têm lugar em nosso mundo melhor!”




* Alan Moore é britânico, considerado um dos maiores escritores de HQ’s do mundo, colaborou intensamente para a a popularização do gênero entre os adultos. Começou seu trabalho na revista britânica de antologias Warrior, e é autor de títulos como Watchman e Mostro do Pântano, além de edições de Superman e Batman.





Aos autores, as histórias





A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón
Editora Objetiva (2004)

Nos minutos seguintes em que terminei a leitura desta história sobre histórias, minha primeira ação foi pesquisar por Carlos Ruiz Zafón*, o autor, no Google. E, ao que parece, o primeiro mérito de A Sombra do Vento se cumpre: a obra desse espanhol erradicado em Los Angeles instiga no leitor a necessidade de buscar conhecer aqueles por trás das histórias, os que as assinam, os autores.


É valorizado não o mero preenchedor de páginas, mas o escritor real, renomado ou não, cujas obras ampliam o espírito humano. E por fim, é homenageado o leitor que lê sem leviandade, apenas para passar o tempo, o leitor que termina um livro porém esforça-se em conhecer mais a respeito da obra e de quem a escreveu. Tão sincero é o apreço ao livro, que o autor é cortejado para autorizar a filmagem, mas não quer ceder os direitos sem garantias mínimas de fidelidade do filme ao escrito. Este, segundo ele, é mais importante que a “película”.


Em uma trama envolvente, Zafón nos apresenta à Daniel Sempere, um jovem leitor, filho de um livreiro simples de Barcelona, que perdeu a mãe muito cedo e sonha se aventurar pelo universo das palavras, como escritor. E é com Daniel que seguimos adiante, em busca de respostas sobre a misteriosa existência de Julián Carax, um escritor espanhol que muito jovem se mudou para a França, em circunstâncias não muito claras, e que, mesmo sem nenhum sucesso editorial e vivendo de pianista em bares parisienses, lançou vários títulos, entre eles, um tal de A Sombra do Vento – que Daniel resgata, acidentalmente, de um sociedade secreta chamada Cemitério dos Livros Esquecidos.

E é a curiosidade de Daniel que nos envolve nos mistérios do passado de Carax: mistérios que envolvem até mesmo um assassino de livros, uma figura demoníaca que sai de um dos livros de Julian com o objetivo de destruir tudo o que o autor já havia publicado.

Situado na conturbada Barcelona da década de 1950, entre passado e presente, A Sombra do Vento, que se pretende o primeiro título de uma tetralogia sobre a cidade espanhola, retrata um tempo de muita apreensão e mudanças, onde o tom denunciador da ditadura de Franco é retratada nas frias e úmidas descrições da cidade – característica que nunca abandona o texto, sempre parece chover nas páginas de Zafón.


Um dos melhores personagens é Fermín Romero de Torres. Chamá-lo simplesmente “malandro” aproximá-lo-á em demasia do tipo descrito comumente pela prosa urbana brasileira e transmitirá uma idéia errônea. Pode-se melhor descrevê-lo como um Sancho Pança que obteve algumas luzes mas não alcançou a estupidez de Pangloss. O escritor teve grande inspiração ao criar esta figura extremamente hilária, enxerida e absolutamente leal aos amigos.


Fermín é mesmo hilário… O texto todo, por sinal, é muito bem escrito. E o livro foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Vale conferir a crítica do Digestivo Cultura, de onde retirei as citações.



* Carlos Ruiz Zafón é um escritor espanhol, ganhador do prêmio Ebedé de literatura já por seu primeiro romance (O Príncipe da Névoa) e considerado uma das maiores revelações da literatura mundial. Zafón começou sua carreira com a literatura infantil, mas tornou-se celebridade literária com este “A Sombra do Vento”. O autor mora e trabalha nos Estados Unidos, onde é roteirista de cinema.



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